Arrogância
Paulo Roberto Sampaio
Por que muitos campeões fracassam? Não conseguem manter-se no topo? Por que empresas e organizações perdem as melhores pessoas da equipe? Por que muitos não decolam? A resposta é a mesma para todas as perguntas: arrogância. O arrogante não conhece a si mesmo, nem suas habilidades, considera os outros inferiores. Tem complexo de superioridade, usa a arrogância como uma forma doentia de manifestar sua própria insegurança. Não sei de onde foi que minha filha Thatiana tirou esta frase, se leu em algum livro ou se viu em um filme, mas, um dia, vendo minha indignação pelo comportamento de uma pessoa que fez de mim uma escada, pisoteando-me de uma forma desrespeitosa para conquistar poder, ela disse: “Pai, se quer conhecer o caráter de uma pessoa, dê o poder para ela”. Os arrogantes não conseguem viver com o poder por muito tempo. Mas não medem esforços para conquistá-lo. Eles têm algum perfil de líder, não se pode negar, mas acham suas próprias idéias e opiniões muito mais importantes do que as de outras pessoas. Esperam dos seus liderados nada mais que obediência submissa e passiva. Freqüentemente desrespeitam os outros, não toleram idéias contrárias. Taxam novas idéias e ousadias como insolência, insubordinação, incompetência. Só toleram aqueles cordeirinhos que se submetem de forma servil. Vivem rodeados de puxa-sacos, justamente por acharem que são o centro do universo. O que eles não sabem é que o sucesso mal conquistado estimula arrogância e arrogância joga para baixo, leva ao fracasso. Alguém que se considera perfeito não fará nenhum esforço para melhorar ou aprender. O arrogante invariavelmente se acomoda: mais dia, menos dia, despenca, derrubado por ele mesmo, por sua própria estagnação. Pessoalmente, considero as lutas de boxe um atentado à inteligência humana. Não tenho nenhuma motivação a assistir este tipo de “esporte”. Mas li, recentemente, um artigo intitulado “Estrela cadente”, que trazia a história do grande campeão Mike Tysson, pugilista que conquistou o máximo em seu esporte, derrubando, um a um, qualquer que passava por seu caminho. Sua fúria e seu ódio foram sendo ferramentas para subir a montanha. Pouco a pouco sua confiança foi dando lugar à arrogância. Apostadores do mundo inteiro arriscavam milhões de dólares e ganhavam. Seus opositores não ficavam em pé por poucos minutos. O mundo, ante a TV, olhava-o, e pessoas pagavam fortunas para ver de perto o fenômeno. Ele derrubava seu oponente com os olhos. O adversário entrava no ringue pensando: “Vou cair, mas vou ganhar milhões de dólares se conseguir ficar em pé mais tempo que os demais”. Mal a luta começava e o adversário estava na lona. Mike Tysson treinava muito, estudava seus adversários, e a cada nova luta era comum vê-lo treinando, pulando corda, malhando na academia, concentrando-se. Ele se preparava como se fosse a primeira luta. Isso era bom. Ele tinha estratégia. Mas numa destas lutas apareceu um adversário, desconhecido, chamado James Buster Douglas. No ranking mundial ele era o número 78. Tysson cometeu dois grandes erros: primeiro, subestimou o adversário, pensou “Não preciso me preparar, sou o campeão, ele está longe na classificação”. No dia da luta, A televisão e os jornais do mundo inteiro mostraram o que acontece com o campeão que não tem estrutura para conquistar o poder (o topo). Os jornais ainda publicaram uma foto de Mike Tysson grogue, sangrando, de quatro, humilhado, e de pé, apenas esperando ele se levantar para nocauteá-lo de vez, o mero desconhecido James.“Seu segundo erro foi sua arrogância. Ao olhar apenas para o próprio umbigo, e se esquecer de seu adversário...” ) Quem você acha que derrotou o campeão? Foi James B. Douglas? Claro que não. Aquela era a derrota da arrogância. E, paradoxalmente, aquela foi a vitória da arrogância. Não importa quem você é. Pode ser um fenômeno da música, do esporte, grande orador ou mesmo o campeão de vendas de sua empresa. No momento em que você perder a humildade, sua arrogância irá puxar seu tapete. Estamos num ambiente competitivo, onde as únicas chances de sucesso estão na diferenciação, na criatividade, no profissionalismo e na competência, pautados numa estratégia de vida. É importante ouvir e aprender com os mais humildes, não se acomodar, respeitar. Praticar o que chamo em minhas palestras de “As três inteligências do sucesso”: inteligência intelectual, emocional e afetiva. Assim, certamente teremos um solo mais fértil para aprender, adaptar, crescer e dar bons frutos. Lembre-se do que disse Edward Halifax: “O verdadeiro mérito é como um rio – quanto maior e mais profundo, mais silencioso”. O verdadeiro valor de um homem não está em que ponto ele conquistou a montanha. Nem pelo que ele já fez. Seu valor está em quem você é, como seus familiares, amigos, colegas ou como o próprio Deus lhe vê. Os arrogantes investem a si mesmos de poder: podem ser chefes, um líderes espirituais, ou mesmo um supervisor. Eles estão por aí. Não os enfrente, você não conseguirá nada. Suas convicções cegam seus horizontes, a ponto de não conhecerem o significado de palavras como “democracia” e “harmonia”. Gostam de dizer “Não aceito!”, “Não concordo!”, “Não admito!”. Não estão preocupados em conduzir uma equipe, ou comandar uma instituição. O mais importante para eles é fixar padrões. São Chefossauros (líderes da idade da pedra), que gostam muito de “normas”. Falam sempre de princípios. Gostam dos seminários e palestras que são como perfume: até exalam um cheiro bom, mas nada mudam. Tudo continua como antes no quartel de Abrantes. Essas pessoas insistem em dizer que leões têm juba, que elefantes têm tromba, que 1 quilo de algodão pesa o mesmo tanto que um quilo de aço, e que só o volume é que é diferente. Sabem que o sol se esconde, que a lua vai aparecer, que depois da chuva o arco-íris aparece. Mas ainda não sabem que em qualquer agrupamento de pessoas serão encontrados gostos, opiniões e desejos diferentes. É preciso orientação divina verdadeira para lidar com “cigarras e formigas”. A liderança verdadeira não é baseada em temor. Há uma varinha mágica chamada “respeito, simpatia e empatia”. Se você pretende liderar ou já lidera pessoas – pode ser uma equipe, igreja, escola, empresa – e quer que seus liderados sejam ajustados, trabalhadores, competentes e felizes, tire o gesso, largue as muletas, acorde! Liberte-se do sistema fechado com paredes e portas onde estão assentados os aprendizes sob o comando do mestre com lições sobre “com quantos ‘nãos’ se vive por aqui”. Tire o ‘não pode’ do seu vocabulário, adote uma conscientização feliz, honesta, ensinando “porque não devo”. Líderes prepotentes ditam normas, não aceitam diálogos, são intransigentes em suas convicções. O mega líder conforme o coração de Deus comunica, repreende com amor, sabe ouvir, sabe analisar, gosta de novas proposições, cede quando vê que está errado. Estimula novos argumentos, administra conflitos com inteligência, tira lenha da fogueira, acalma ânimos, dá aos liderados oportunidade de se expressar sem medo, sem censura. Não vê uma inovação como inimigo potencial, não estimula a rotina de atitudes empacotadas. Estamos no terceiro milênio e temos o manual de condutas que é a Bíblia Sagrada. Além disso, é vontade de Deus que sejamos capazes de reformular conceitos, elaborar novas atitudes, ampliar fronteiras. Uma escritora, chamada Ellen White, escreveu em um de seus livros : “Cada um deve aprender mediante auxílio de Deus a capacidade de raciocinar. Deus quer que a inteligência seja exercitada”. E esta mesma escritora disse: “Nenhuma verdade da Bíblia ensina mais claramente do que aquela que diz que o que fazemos é resultado do que somos. Em grande parte as experiências da vida são o fruto de nossos próprios pensamentos e ações”. Nós, seres humanos, somos compostos de diferentes departamentos. Através da formação biológica e informações ao longo da vida nossas atitudes se desenvolvem. Cada um de nós tem sua própria capacidade de enxergar os mesmos fatos com óticas diferentes: alguns com maior sensibilidade, outros com maior racionalidade. O líder deve estar sempre lembrando disso, e possibilitando às pessoas a arte de pensar. O quociente intelectual já é medido por testes. Há muito tempo eles revelam a capacidade do homem para discernir, entender, avaliar, escolher e assimilar as coisas. Para sermos mega líderes temos que usar o QI para criar um novo quociente, o QE, quociente emocional. Inteligência para emoções, sensibilidade com novos fatos, investimento na imagem, no sorriso, acreditar no outro, entender o porquê daquela atitude. Quando o grau de QE está bom surge o QA, quociente de afetividade, um grau verdadeiro de amor pelos liderados, o sentimento de missão. Esses “Q’s” são tão importantes no relacionamento quanto os expoentes que a matemática usa para potencializar os números. “O coração entendido buscará o conhecimento 2” Diante de qualquer coisa que você fizer na vida lembre-se que é necessário arder os músculos, dedicar-se, estudar, enfim buscar conhecimento. E ousar!