O dinheiro e a qualidade de vida
Paulo Roberto Sampaio
"Dinheiro é tudo na minha vida!"
Essa frase foi dita por um homem muito rico, que se julgava muito inteligente. Realmente ele era bastante inteligente para negócios e foi um grande semeador de fortuna. Conseguiu ajuntar, durante 75 anos, milhões de dólares, muitos bens, navios e se tornou um magnata. Através de sua declaração podemos notar a visão estreita e pragmática. É como muitos que só enxergam o poderio do cifrão, a quantidade de ações nas bolsas financeiras, os lotes, os apartamentos, os carros, o sítio, a fazenda, a casa de praia. Pessoas que pensam: "Eu tenho o poder! Meu talão de cheques é quem controla minha vida".
O milionário desta história chamava-se Aristóteles Onassis. Ao dar entrada em um hospital de Paris, ele enganou-se quando prometeu doar fortunas aos médicos em troca de receber saúde e permanecer vivo. Tentou pagar para que salvassem sua vida, mas os médicos não tinham este poder.
O dinheiro era tudo para Aristóteles Onassis. Sua esposa declarou, após sua morte: "O dinheiro para ele não significa senão a espuma dourada da sua vida". Deixou para seus herdeiros o fruto material de uma existência fabulosamente bem-sucedida sob o aspecto monetário. E assim muitos outros estão acumulando jazidas de petróleo e patrimônios, pensando que dinheiro é tudo. Dinheiro não é tudo, mas quem não consegue administrá-lo carrega uma vida de frustrações.
Quem não gostaria de ser rico? Ter dinheiro é bom, claro que é. Dinheiro para viver bem, viajar e aproveitar a vida. Dinheiro para investir em novos negócios e oportunidades, para investir em qualidade da vida (sua e de sua família), para pagar os estudos dos filhos em boas faculdades, para dar segurança e estabilidade. Todo mundo sonha com isso!
Os mais modestos querem, no mínimo, tranqüilidade financeira: pagar as contas básicas, a farmácia e o plano de saúde. As grandes questões da vida são: Como ser rico ganhando pouco? Como ter uma vida de rico sem acertar sozinho o prêmio da mega sena acumulada? O que é realmente ser rico?
Tem gente que diz: "Ah! Eu não preciso de dinheiro".
Será? Caso você vivesse sozinho numa selva, como um Tarzan moderno, não precisaria, mas, infelizmente, você vive no planeta Terra, e, em qualquer civilização, você precisa de dinheiro.
Durante séculos a situação é a mesma em todos os lugares: alguns se destacam e sabem ganhar dinheiro com muita facilidade; outros passam a existência toda sem conseguir nada.
Alguns nem conseguem desfrutar de momentos de lazer com a família, e passam a vida toda assim, pelejando, "lambendo imbira", "correndo atrás" e sempre preocupados com as dívidas que crescem como fermento. São cheques pré-datados perturbando noites de sono, trazendo angústias, estresse, juros embutidos em empréstimos sem fim.
Ultimamente estamos presenciando uma verdadeira epidemia de pessoas que recorrem a empréstimos para serem descontados nos salários de aposentadoria. Os bancos descobriram que descontar dinheiro de aposentados é garantido: desconta-se na fonte. As pessoas estão fazendo dívidas para trocar o carro, fazer um "puxadinho" na casa, para uma viagem, ou simplesmente para comprar móveis mais modernos: uma geladeira Duplex Frost Free, um TV de plasma ou um super poderoso lap top.., um celular que envia Emails, Na verdade as pessoas são estimuladas a consumirem cada vez mais usando um dinheiro que não têm, para agradar caprichos.
Tenho convivido há anos com gente que leva a vida assim. Como analfabetos financeiros, cavam um buraco e não conseguem mais tapá-lo, depois, não satisfeitos com a própria sorte e ineficiência, começam a pedir empréstimos, folhas de cheques, favores financeiros à família e aos amigos. Atrás destes comportamentos vêm o desconforto e a desarmonia, pois com certeza se tais pessoas não honram compromissos com o próprios nomes e CPF's (por desestruturação financeira ou mesmo por não terem frutos de valores) mais dia menos dia o fermento das dívidas engolirá tudo. Assim a paz de espírito, a amizade, a harmonia da família vão por água abaixo.
Durante anos procurei um método que verdadeiramente fosse eficiente, pois não acredito em mágicas e sei que não existe um "Mister M Financeiro" – aquele mágico que ensina os segredos das mágicas. Se conseguisse revelar esta mágica, ensinar o segredo do sucesso, como ter a inteligência financeira, seria magnífico. Mas a mágica do Mister M na realidade é uma ilusão de ótica, ou uma bem planejada estratégia elaborada nos mínimos detalhes para iludir os espectadores.
Por que dois profissionais da mesma especialidade, na mesma cidade, sofrendo a mesma "crise" vivem situações opostas? Um está tranqüilo, com as contas em dia, tem sua casinha na praia, um carro com IPVA pago. O outro não consegue manter a tranqüilidade financeira. Resposta: equilíbrio, planejamento, autocontrole, disciplina.
Eu sei que este assunto não é muito agradável e traz desconforto a muitas pessoas, mas a proposta deste livro é mais uma vez, jogar areia dentro da ostra, gerando uma irritação que formará a pérola. Irritar nesse contexto é fazer você, leitor, refletir nas vantagens de uma mudança de atitudes para consertar o futuro.