Eu quero minha montanha
Paulo Roberto Sampaio

Neste instante, os outros dez espiões interrompem o discurso e declaram, em tom mais escuro do que antes, a dificuldade. “Os homens que habitam aquela terra são altos e fortes. A cidade é uma muralha. Eles têm armas modernas de guerra”. Falaram até mentira: “É terra onde consomem seus moradores” – julgando que os habitantes de Canaã fossem canibais. Calebe rebate: “Mentira! Esta é uma terra fértil. Olhe as amostras!” – diz apresentando o cacho de uva que precisou ser transportado por dois homens. Mas o povo deixou-se levar pelos negativos, colocando-se sob o domínio dos negativos. Falaram de seus filhos como se fossem presas fáceis para os cananeus – os habitantes de Canaã. Moisés, Josué e Calebe, não suportando ver tanta falta de confiança em Deus, rasgaram as suas roupas. Choraram porque sabiam que “Deus não deixaria por menos aquela incredulidade.”. O Senhor ficou triste com seu povo. Ele havia feito uma aliança com eles e lhes daria aquela terra boa e fértil. Deus sempre cumpre suas promessas, e o povo não estava merecendo a terra. A Bíblia diz que Deus fez o povo esperar por mais 40 anos. A maioria se arrependeu, chorou, pediu desculpas a Deus, mas Ele respondeu: “Como falastes aos meus ouvidos, assim farei neste deserto: cairão vossos cadáveres como também todos, de vinte anos para cima, que foram contados segundo vosso senso. Mas vossos filhos, aqueles que dizeis que serão presas fáceis, esses eu os colocarei na terra. Habitarão a terra que vós desprezastes.” Números 14 -27 E assim as hostes de Israel vaguearam pelo deserto até que todos aqueles contados seiscentos e três mil, quinhentos e cinqüenta homens foram morrendo, um a um, e apenas dois daquele grupo ficaram vivos: Josué e Calebe. A multidão queixou-se de coisas irreais e agora Deus lhe dava motivos para chorar. Não era propósito de Deus que eles ocupassem a terra através da guerra, mas sim pela obediência estrita à sua vontade. Quarenta anos se passaram. Durante este período o povo tentou conquistar Canaã pela guerra, mas foram humilhados e perseguidos pelos habitantes da terra no deserto. E depois, aprendida a lição, o povo estava pronto para conquistar a promessa novamente. Josué recebe orientações de Deus. O povo agora é confiante. Eles não estão preocupados com muralhas, gigantes, nem com armas de guerra. Eles só querem a orientação de Deus. Deus dá mais uma prova de seu poder. Faz o exército de Israel marchar, sem armas, dando voltas ao redor das muralhas. Foram ridicularizados pelos cananeus que inspecionavam a fortaleza em cima das muralhas. Os soldados se acomodaram para assistir a passeata do povo de Israel, até que em determinado momento as cornetas de chifre carneiro, as únicas armas nas mãos do exército de Israel, são tocadas, e as muralhas desabam no chão. Atordoados, os gigantes , ficam como que paralizados,. O povo entra e domina toda a terra. sem a menor resistência ,Logo começa o processo de divisão das partes: os vales, as colinas, as planícies – tudo vai sendo ocupado pelas tribos. Calebe, já velhinho, fala: “Agora, Senhor, eu quero a minha montanha!” Josué, com paciência, tenta convencê-lo: “Calebe, para quê você quer esta montanha? Venha morar ao meu lado, numa planície às margens do Rio Jordão”. Porém Calebe responde: “Não, eu quero a minha montanha! Esta montanha me pertence. Eu não quero sossego, nem aposentadoria, quero minha montanha!”que o senhor me prometeu( a promessa números 14 verso 24) A montanha referida era habitada pelos cananeus: homens cruéis que se refugiaram por lá. Mas Calebe queria subir a montanha e destruir aquela nação. Ele não queria paz e tranqüilidade, mas desejava colocar a bandeira da confiança em Deus no topo da montanha. Ele queria trabalho, atividade. Tinha experiência, determinação, vontade para continuar a conquistar montanhas. Não queria ser um jubilado a espera da morte nas praias do Rio Jordão

A primeira qualidade de quem quer vencer neste mundo é a confiança em Deus. Se tudo o que está escrito na Bíblia fosse perdido e somente uma linha fosse recuperada, o verso central seria o Salmo 118.8: “É melhor buscar refúgio no Senhor do que confiar no homem”. Com Ele, nada estará perdido. Uma curiosidade: Você sabe qual o capítulo mais curto da Bíblia? O Salmo 117. E o capítulo mais longo? O Salmo 119. Entre os dois, há o capitulo 118. Há 595 capítulos antes do Salmo 118 e 593 capítulos depois do Salmo 118. Somados, estes dois números totalizam 1.188. E você sabe qual é o versículo que está no meio da Bíblia? O Salmo 118.8. Se alguém, algum dia, disser que deseja conhecer a vontade de Deus e que deseja entrar no centro de sua vontade, mostre a ele o centro de sua Palavra: Melhor é buscar refúgio no Senhor do que confiar no homem. (Salmo 118.8)

Deus quer que confiemos nele. Ele é o centro de tudo. Lembre-se sempre disso. Neste livro falaremos sobre muitas atitudes de pessoas vencedoras, que provaram a confiança e agiram. Pessoas que não se acomodaram, mas se transformaram em construtores de oportunidades, que sonharam com montanhas e começaram pelas pedras diminutas, sempre almejando alcançar um lugar onde os olhos pudessem vislumbrar a fulgurante aurora. Os perdedores vêem a tempestade. Os vencedores vêem, por trás das densas nuvens, os raios de sol. Para isso é preciso uma mente irrigada com bons fluidos, longe de disputas predatórias pelo poder, longe da inveja, do ciúme, da vaidade, mas perto da liberdade de escolha, do desejo de construir os próprios caminhos, de seguir a própria consciência, gerenciando pensamentos, e administrando com inteligência as emoções. É preciso saber expor, e não impor as idéias para conquistar a montanha. Talvez tenhamos que mudar de rota, fazer uma revisão de vida, voltar a sonhar, pois a vida sem sonhos é como o céu sem estrelas. É preciso fazer dos nossos sonhos montanhas a serem alcançadas, traçar estratégia e não deixar nossos projetos se transformarem em miragens. A presença de montanhas transforma mendigos em reis. A ausência de montanhas transforma ricos em mendigos.

Montanhas são projetos de vida. Um cérebro saudável deve ser uma usina de sonhos, pois os sonhos oxigenam a inteligência e irrigam a vida de felicidade. Isso faz sentido. Estou falando de gente que sonha acordado o sonho que borbulha da conquista, do aplauso, do pódio. Sonhos que aliviam dores, trazendo esperança, confortando nas perdas e renovando forças na derrota. A vida tem inevitáveis tempestades, mas o que alimenta a vida são os sonhos, a vontade de sempre conquistar mais uma montanha. Quem não tem mais montanhas pra conquistar está morto, não tem mais razão para viver... Lembre-se sempre: Deus quer que confiemos nele, aconteça o que acontecer.