Liberte-se
Paulo Roberto Sampaio
Um urso, faminto, estava sem comer havia muitos dias. Você sabia que os ursos têm um olfato apuradíssimo? Ele sentiu um cheiro de comida e começou a farejá-lo. Andou, andou, farejando o cheiro de comida gostosa, que aumentava a sua fome. Finalmente chegou a um acampamento de caçadores onde não havia ninguém. Encontrou um caldeirão de ferro em uma fogueira acesa. O urso chegou perto da fogueira para apreciar aquele cheiro delicioso do guisado de legumes, que fumegava no caldeirão. Sem se conter de tanta fome, pegou aquela tina de ferro nos braços, enfiou a cabeça e começou a comer a comida deliciosa. Mas ele sentiu algo que o incomodava muito, e era o calor da tina que o queimava. Porém, como seu cérebro de urso era limitado, e estava faminto, ele refletiu e deduziu que aquela sensação extremamente desagradável era alguém tentando tomar sua preciosa ceia. Isso não podia acontecer, pois aquela tina de comida era importante demais para ele. Ele julgava que devia proteger o território que havia conquistado, não podia abrir mão dele. Então começou a apertar com força a tina contra o peito e a bramir. Um cheiro de pele queimando ascendeu, e ele apertava com mais força, acreditando estar defendendo com unhas e dentes o seu patrimônio. Nós, humanos, também somos assim quando acreditamos estar defendendo uma coisa preciosa. Muitas vezes agimos desta forma com relação a bens materiais, a emprego, relacionamentos, filhos, ou uma causa. Agarramos e apertamos junto a nós, acreditando que assim estamos defendendo algo como se fosse a coisa mais importante da vida. Somente pessoas sábias conseguem ter uma visão de longo alcance e percepção para sentir o cheiro de coisas que não são tão boas como parecem. Também os sábios são capazes de perceber quando estão sendo machucados pelo calor da tina em brasa, percebendo a hora certa de soltá-la – largar o que está machucando, ardendo, queimando, enfim, destruindo. Às vezes a tina quente pode estar queimando sua auto-estima, sua paz de espírito, sua alegria. Se a tina quente está queimando seu peito, tenha ousadia e coragem para largá-la. Liberte-se desta situação que parece boa e agradável, que quando você pensa em sua ausência, acredita que não poderá mais viver. Amplie seu horizonte, suba na montanha mais alta de si mesmo. Enxergue a realidade: não será bom continuar agarrado à tina. O caçador da nossa história chegou ao acampamento e encontrou o urso morto, encostado em uma árvore, abraçado com toda força à tina que o matou. Está gostoso, é muito bom, mas está queimando sua consciência, ou sua alegria de viver? Então solte! Jogue longe! Tenha coragem! Tanta tina cheia de coisas gostosas, mas que você sabe que não são boas e que serão um mau negócio para o futuro. Qual é a sua tina? - Um amor? - Um parente? - Um vício (comida, bebida, sexo, droga)? - Um trabalho? - Uma crença? Anime-se, medite e descubra qual é sua tina. Creia em sua capacidade de mudar e mude. Peça a Deus força, visão e coragem para jogar longe a sua tina. Liberte-se. Posso todas as coisas, naquele que me fortalece. Paulo, em Filipenses cap. 4, verso 13)