Superando tempestades
Paulo Roberto Sampaio

Você provavelmente já observou uma tempestade. Mais assustador do que observar uma tempestade é ter de enfrentar momentos tempestuosos, que exigem de nós o conhecimento dos elementos que os geraram e a escolha dos melhores recursos para superá-los. A paz de espírito é o primeiro passo que precisamos dar quando as nuvens escuras começarem a aparecer no céu de nossa vida, quando o vento começar a soprar forte e os relâmpagos riscarem nosso céu. Diante desse quadro nossos ouvidos ouvem os trovões e não há dúvidas: uma tempestade está a caminho. Muitas pessoas estrategicamente já previnem esta possibilidade e se estruturam para enfrentar a fúria do vento e da tempestade. Pior do que enfrentar uma tempestade é precisar enfrentá-la junto com sua família – seu bem mais precioso –, em uma estrada, dentro de um carro. Passei por essa experiência e afirmo que os momentos foram aterrorizadores: a água subindo assustadoramente, engolindo o caminho. Chegou um momento em que a única coisa sensata a se fazer foi abandonar o carro e agir rapidamente para levar minha família a um lugar seguro, com o tremendo esforço de manter o controle e o equilíbrio. Experimentei a sensação de não ter nenhum controle sobre a circunstância, mas eu sabia, e sei, que existe uma força superior, então busquei socorro em uma prece: “Senhor, dê-me sabedoria para agir agora”. Não há como um ser humano controlar enxurradas furiosas, sua família apavorada, assistindo o carro sendo arrastado pela água. Nesse momento pensei: “Por que não parei quando vi as nuvens escuras à frente? Por que não esperei? Por que não busquei abrigo seguro?” Meu cérebro respondeu: “Porque acreditei que estava em condições de superar esta tempestade”. Os nossos sucessivos erros também podem gerar situações tempestuosas que não podemos controlar, e as tempestades chegam furiosas, com força esmagadora. A Bíblia relata em Mateus 14.22-32 que certa vez os discípulos de Jesus enfrentaram uma grande tempestade no mar. O verso 24 diz que o vento era contrário. Eles enfrentaram ali a força da natureza, com poder muitas vezes superior ao de seus músculos. Eram homens experientes, acostumados com o mar, mas chegaram a acreditar que sozinhos não conseguiriam escapar. Neste momento você pode estar passando por alguma tempestade, seja na área espiritual, profissional, conjugal, ou até mesmo em sua saúde – a pior área a ser afetada pelas tempestades. Davi confessa-se um homem sem forças no Salmo 88.4 . Você pode estar se sentindo açoitado pelas ondas. Remando, remando, mas percebendo que seus esforços não dão certo. A tempestade te arrasta para o fundo. Muitas são as situações que nos conduzem às tempestades. O profeta Jonas embarcou para fugir das ordens de Deus e enfrentou a força das águas. O patriarca Jó sentiu-se quebrado “de todos os lados”. Às vezes, ao enfrentar sua grande provação, você não encontra explicações. Pode ser que você esteja sentindo-se açoitado pelas ondas, vendo a vida oscilar pelo peso das pressões externas. Não se engane, pois as tempestades da vida sempre existirão: angústia, desânimo, depressão, conflitos de relacionamento, feridas interiores, falta de dinheiro, etc. A boa notícia é que é possível passar por situações tempestuosas sem perecer. O segredo está em manter o equilíbrio, para que não haja estrago causado pelo coração ferido (Salmo 102,4 ). Se você já andou alguma vez de barco, sabe que uma leve alteração no movimento das águas já obriga os navegantes a buscarem algo para segurar-se, pois o balanço das águas pode comprometer o equilíbrio. Quando a tempestade chega e desaba sobre nossa vida, perdemos o equilíbrio. Se não temos nossa mente bem estruturada, nos desequilibramos na área emocional, mental, física, financeira ou familiar. E, neste momento de total desequilíbrio, pode ser que mais de uma área seja atingida. Aquele patriarca de que falamos, Jó, viu-se desequilibrado em todas as áreas. Perdeu bens, familiares e sofria de chagas terríveis em seu corpo. Em que Jó segurou-se para manter o equilíbrio? Não é preciso ter uma religião para chegar à conclusão de que somos dependentes. Quando as águas da aflição começam a invadir as áreas de nossa vida, a sensação que temos é que estamos indo irremediavelmente para o fundo. Só nos resta gritar e pedir socorro. “Podemos citar alguns exemplos de nossa constante dependência de outras pessoas. Isto é algo simples, pois creio que você, leitor, já deve ter passado por algo assim no passado: - Você, quando criança, já se perdeu de seus pais, ou responsáveis, em algum lugar? Parque de diversões, supermercado, igreja ou mesmo na casa de um amigo ou parente? - Você já perdeu algum amigo ou parente, que agora descansa o sono da morte? - Você já precisou encerrar um relacionamento ou se despedir de uma pessoa, sabendo que não a veria mais? - Qual o tipo de sensação vem à sua mente? Consegue reavivar esta sensação? Talvez possa ser uma sensação de “vazio”, ou de “impotência”, mas também, pode ser uma sensação mais forte (no caso da infância) que será a de “falta de proteção”. somada às sensações anteriores. A perda implica em anular uma parte de nós que estava segura. Parece que nos foi arrancado um pedaço, e por isto muitas pessoas sentem uma sensação de “peso” no peito.) “Salva-me, ó Deus, pois as águas subiram até o meu pescoço. Nas profundezas lamacentas eu me afundo.” (Salmo 69.1-2). Existe uma diferença entre “medo” e “pavor”. Até certo grau o medo é uma defesa natural do ser humano e é baseado no lado racional. Tudo que dá sensação de fugir do nosso controle provoca medo. Assim, o medo é benefício, pois nos torna mais atentos e nos protege, é um sentimento normal. Mas o pavor, que é o medo incontrolável, é nocivo e irracional. As pessoas que estão em sintonia com Deus não sentem pavor. Nunca permitem que o pavor as domine ao ponto de fugirem ao simples ruído de uma folha seca (Levítico 26.36 ). É com esta confiança e sensação de dependência total que nos equilibramos nas tempestades. Deus não fará por nós aquilo que podemos fazer. Na tempestade, quando Jesus caminhou sobre ás águas (Mateus 14.22-34), os discípulos começaram a travessia no final da tarde e lutaram contra as ondas, remando por quase dez horas ininterruptamente. Eles usaram seus músculos e seus conhecimentos aprimorados em anos de experiência. Já haviam feito a mesma travessia muitas vezes, mas aquela tempestade no fim da madrugada era desesperadora. Eles estavam lutando para não serem engolidos, tentando manterem-se vivos. Lembra da mosca que caiu no leite? Deus espera empenho de nós. Eleazar, um dos mais valentes soldados de Davi, certa vez lutou “até lhe cansar a mão e ficar pegada à espada” (II Samuel 23.10). Se os discípulos tivessem desistido de lutar, o barco afundaria ou o vento lançá-lo-ia contra uma rocha. Eles tinham um objetivo: chegar ao outro lado. Foi então que descobriram que não estavam mais sozinhos. A coragem e a confiança podem não só nos livrar da tempestade, mas também nos resgatar do naufrágio. Não acredite naqueles que pregam que pessoas apanhadas em alguma tempestade da vida estão necessariamente em dívida com Deus. Isso não é verdade, mas cria um complexo de culpa e de inferioridade, e esta não é a vontade de Deus. O que Ele quer é que confiemos nEle. Lembra-se do versículo central da Bíblia? “É melhor buscar refúgio no Senhor do que confiar nos homens” (Salmo 118.8) A Bíblia não deixa dúvidas quanto à possibilidade de enfrentarmos tormentas em todas as áreas de nossa existência. Esta é a verdade incontestável que se cumpriu na vida de todos os servos de Deus, como Paulo, Silas, Davi, Elias, Abraão, Moisés, Jacó, etc. As pessoas, principalmente os jovens e adolescentes, deveriam se conscientizar de que não há mal em ter confiança em seu próprio potencial e em seu conhecimento, mas é errado depositar toda a segurança e a estabilidade na própria força e nas posses. Esse comportamento tem deixado muitos em situação de pânico. É comum os jovens perderem a noção de suas limitações. Acham-se auto-suficientes, como se pudessem resolver todos os problemas sem ajuda. E quando entram em uma pequena tempestade, descobrem que não são nada. Para vencermos, precisamos aceitar duas verdades: 1ª verdade: a presença de Deus em nossa vida não significa que estamos livres da tempestade, mas significa que não naufragaremos. 2ª verdade: por maior que seja a tempestade, ela é insignificante diante do poder de Deus. Minhas montanhas não são maiores do que o meu Deus e não irão me impedir de caminhar. Raízes profundas Certamente você já teve a oportunidade de ver um vendaval. Há alguns anos vivi uma experiência com vendaval. Plantei algumas palmeiras no terreiro da minha casa. Vinte anos mais tarde elas estavam maiores que nosso prédio de dois andares. Uma certa tarde iniciou um vendaval que balançava as folhas das palmeiras. Elas eram lançadas para todos os lados, e o barulho era tanto que os vizinhos saíam de suas casas, com medo que as palmeiras caíssem sobre elas. Eu os tranqüilizei: “Não se preocupem, pois essas palmeiras têm raízes profundas; não vão cair”. Mas eles não acreditaram. Não conseguiam dormir com aquela idéia de que a qualquer momento as árvores pudessem cair sobre suas casas. Preocupado em deixá-los tranqüilos, fui até o Corpo de Bombeiros e relatei o ocorrido. Eles enviaram técnicos à minha casa para avaliarem a situação. Constataram que realmente as palmeiras corriam risco de caírem, pois aquele solo não era propício e elas se desenvolveram sem raízes profundas. Então, pela política da boa vizinhança, resolvi cortar as árvores. Foi um trabalho difícil, feito por especialistas. Eles cortavam em pequenas partes de 50 cm, de cima para baixo. O fato de saber que minhas palmeiras não desenvolveram raízes profundas me intrigou, então procurei esclarecimentos com o engenheiro agrônomo, e ele me explicou com uma história: “Um homem estava plantando árvores e fazia essa atividade com muito carinho. Ele colocava bem pouca água no pé de cada planta e depois a balançava. Isso aguçou a curiosidade das pessoas, que foram falar com ele sobre esse método que não lhes parecia ideal. O homem esclareceu que aquele terreno era do tipo arenoso, e que as primeiras camadas do solo possuíam fracos nutrientes, como toda aquela região de muitos ventos. Ao colocar pouca água e balançar as plantinhas, na realidade ele estava ensinando as árvores a buscarem alimento nas camadas mais profundas. Com o tempo elas, acostumadas a viver com pouca água, alcançariam o solo ideal e teriam raízes mais profundas, o que lhes daria segurança para suportar as tempestades. O engenheiro terminou a história contando que cinco anos se passaram e aquele local tornou-se um bosque muito bonito. Em um lugar a princípio inapropriado cresceram grandes árvores.” Essa história nos ensina duas coisas importantes: a primeira é que com um bom planejamento e uma boa estratégia podemos mudar uma situação; a segunda é saber que para sobreviver aos vendavais precisamos ter raízes profundas – confiança em Deus. Estou enraizado nEle? Sou fiel em toda prova? Por que será que mesmo aquelas personalidades da história, os grandes líderes, não alcançaram subitamente o topo da montanha da confiança em Deus? Eles também passaram por tempestades, tiveram quedas e até fracassos temporários, mas venceram no momento que admitiram: “Sou dependente! Preciso de Deus para sobreviver!” Em se tratando de estratégia para vencer, o homem deve enxergar que só sobreviverá se for dependente de Deus. E dependência de Deus é um exercício. Temos que aprender a depender dEle. A fé funciona como os músculos: na academia da vida precisamos exercitá-la e aprender a ouvir a voz do Senhor. Somente pessoas treinadas e sensíveis à voz de Deus conseguem conhecer a verdadeira vontade do Pai. A Bíblia é a palavra de Deus. É o manual para orientar pessoas de muitas religiões cristãs a conhecerem e caminharem de acordo com a vontade do Senhor. Por que será que as religiões se contradizem tanto? A Bíblia diz que ela mesma é uma espada de dois gumes. Imagine a Bíblia, com seus seis mil anos de trajetória. Ela sofreu mutações, sim, por isso é necessário muita oração e sensibilidade para ouvir a Deus. Ouça o que Ele quer dizer ao seu coração. Quando o homem tenta satisfazer sua filosofia, seu próprio intelecto e sua vontade, ele consegue. Deus não interfere nisso. Se você ler a Bíblia com a mente direcionada vai encontrar satisfação para os seus anseios. A Bíblia é um livro de revelação. Ninguém está autorizado a falar em nome de Deus. Muitos estão freqüentando uma igreja, escutam o pregador falando, acreditam no que ouvem, gostam de estar ali, dizem “amém” (assim seja), ficam de “queixo caído”, aplaudem e dão glórias a Deus. Mas quando ouvem alguns versículos que tocam em suas feridas, logo pensam: “Essa não é a voz de Deus”. Então fecham os ouvidos e se estrepam. Deixam passar a grande oportunidade de sua vida: ouvir a verdadeira voz de Senhor. Só com raízes profundas poderemos sobreviver às tempestades e encontrar o caminho. Onde podemos ouvir a voz de Deus? Onde está essa voz? No trovão? No relâmpago? A Bíblia diz que Elias ouviu a voz de Deus em uma brisa suave. Você gostaria de ouvir essa voz? (I Reis 17) Elias era um profeta de Deus e possuía raízes profundas de intimidade com o Criador. Havia alcançado o topo da confiança, mas de repente, uma tempestade em sua vida. Ele foi jurado de morte e fugiu. Não é um paradoxo um homem de Deus fugindo? Elias refugiou-se em uma caverna, um lugar chamado Vale de Querite. Ali passava um riacho de águas cristalinas. Duas vezes por dia Deus mandava alimento para ele através dos corvos. Os pássaros entregavam seu sustento toda manhã e toda tarde. Um mar de tranqüilidade: água fresca, alimento diário... Mas, de repente, nuvens escuras surgem na vida de Elias. O riacho foi diminuindo, diminuindo, até ficar só um fio de água. Ele olhava a água acabando e a tempestade se formando. Enfim, o riacho secou. O profeta ouviu a voz de Deus, que lhe comunicou estar passando para uma viúva a responsabilidade de cuidar dele. Abro um parêntese aqui para esclarecer sobre o valor de uma mulher na época e região em que Elias vivia. As mulheres eram consideradas como nada, não possuíam nenhum valor. Viviam diminuídas e pouquíssimas eram as que se destacavam. Ser mulher era uma tremenda desvantagem. Pior do que ser mulher era ser viúva. Uma viúva era o último estágio na escala descendente para algum tipo de reconhecimento. Os homens eram tudo! Mas Deus comunicou ao seu ‘pupilo’ que havia escolhido uma viúva para cuidar dele. Fé é exercício e treino. Deus disse a Elias para ir para outro lugar. Querite, o local onde ele estava era tranqüilo, onde havia água fresca e comida, mas a voz de Deus disse a ele para dirigir-se a outro país. Elias estava sendo caçado e jurado de morte, não tinha nenhuma imunidade política e agora seria cuidado por uma viúva. Você não acha que tudo isso é uma grande tempestade? Sabe o que este homem fez? Ele foi. Colocou-se nos braços de Deus e foi, confiante. Sem reclamar de nada, caminhou em direção à cidade. Na porta da cidade encontrou uma mulher pegando lenha. Todos naquela região estavam passando grandes provações pela falta de água. As fontes secaram para todos os lados e a água tornou-se uma preciosidade. Elias chegou-se àquela mulher, que era viúva e tinha um filho com fome e sede, pedindo-lhe água e comida. Ela possuía farinha e azeite para apenas um pão, mas olhou para Elias e disse: “Eu sei quem você é. Você está sendo caçado, é um foragido. Eu tenho ingredientes para um pequeno pão”. O profeta disse que Deus a havia escolhido para fazer comida para ele. Ela fez o que o homem pediu. Agora pare e pense um pouco nas suas tempestades. Você está desempregado? Doente? Sem casa? Desiludido? Sozinho? Deus não quer uma prova de confiança ocasional. Ele quer que sejamos fiéis a toda prova. Ele não espera confiança em “conta-gotas”. Deus disse que cuidaria de você quando a água de sua fonte secasse, quando os pássaros sumissem e deixassem você com fome apertasse, quando a farinha acabasse. Mesmo que as ordens que você ouvir pareçam estranhas, aconteça o que acontecer, Deus estará com você. Ele te sustentará. Deus faz coisas estranhas virarem realidade. Como aquela mulher sabia que Deus realmente a havia escolhido para sustentar Elias? Ela não sabia. O deus dela se chamava Baal. Seus pastores estavam com raiva de Elias e desejavam matá-lo. E o Senhor ainda colocou mais uma prova: o filho da viúva morreu (I Reis 17.17). O profeta Elias foi o instrumento para um milagre – a ressurreição do garoto. Após aquele momento fortíssimo, a mulher disse: “Agora sei que você é um homem de Deus”. Não faltou mais alimento naquela casa. A vontade de Deus é perfeita. Confie nele! Alguém já olhou para você e disse “eu vejo que você é um homem ou uma mulher de Deus”? Foi assim com outros tantos que colocaram a vida nas mãos de Deus. Lembremos de Davi, que ainda menino passou por uma forte experiência, no meio de uma guerra: de um lado, num vale, o exército de Israel; do outro os bem preparados guerreiros filisteus. O líder filisteu tinha como trunfo um soldado especial: um gigante que possuía uma espada de 10 quilos. Os exércitos haviam resolvido simplificar as coisas para não precisarem perder tantos guerreiros na batalha. A estratégia foi escolher um soldado de cada lado para finalizar a guerra com uma só morte. Enfim Davi foi escolhido pelo exército de Israel para enfrentar aquele gigante. Ele foi confiante de que não estava só. É provável que enquanto caminhava em direção ao gigante em sua mente, a voz da consciência (confortada na segurança de quem tinha Deus na retaguarda) foi pensando: “Soldado Golias, você entrou numa fria. Você não sabe com quem está mexendo. Você está em maus lençóis!”. David chegou mesmo a declarar: “Você vem a mim com armas de guerra. Eu vou em nome do senhor!”. Mas Davi aprendeu a ouvir a voz de Deus. Quando aprendemos a ouvir essa voz, não há tempestades nem gigantes impossíveis de serem vencidos. Quando você pensar: “É impossível”, Deus dirá: “Os impossíveis dos homens são possíveis para Deus”. (Lucas 18.27). Certamente você terá aflições. Deus não prometeu o céu sempre azul. Você terá aflições, mas tenha bom ânimo. Deixe todo mundo saber que você tem um Deus maravilhoso. Nunca diga: “Deus, eu tenho um gigante à minha frente”. Diga: “Gigante, eu tenho um Deus grande e todo-poderoso!”. Fale com o seu gigante: “Você vem a mim com lanças, espadas, escudos, mas eu vou enfrentá-lo em nome do Senhor. Você não desafiou a mim. Eu não sou nada, mas represento o Deus a quem você está desafiando. Estou aqui para cuidar dos interesses do meu Deus”. Certa vez Jesus estava no templo e disse uma frase muito importante: “Eu estou cuidando dos interesses do meu Pai”. Você provavelmente cuida muito bem de seus próprios interesses, mas se você cuidar somente dos seus interesses, tenho uma péssima notícia para te dar: a história se encarregará de empoeirar a sua identidade, o seu nome, principalmente se você representar Deus em algum lugar, em alguma área em que Ele te investiu como representante. Pode ser em uma família, em alguma igreja, numa área de comunicação, no ministério da música, na educação, na saúde, etc. Você tem realmente dentro de si aquilo que você representa? (Paulo, não compreendi corretamente esta expressão. Não seria “Você tem realmente dentro de si aquele que você representa?” Ou você está falando de valores?  “Você tem realmente dentro de si os valores que você declara?”) Muito mais do que conhecer o grego, o hebraico, a teologia, a psicologia, a sociologia, a medicina, a pedagogia, você representa os interesses de seu Pai. (Ficaria mais claro explicar o contexto do próximo parágrafo: “Você já parou para pensar em qual foram as palavras ditas por Deus à Daniel? Conhece a história de Daniel?) “Vai, meu filho, enfrente a tormenta e o gigante em meu nome. Você tem tudo a ver comigo. Não foi uma comissão que te escolheu, mas eu o escolhi. Você não está participando de um teste de lealdade. Vá tranqüilo, confie em mim. Você está cuidando dos meus interesses com zelo? Então, meu filho, durma em paz. Ainda que você seja colocado em uma malcheirosa cova de leões, saiba que nenhum leão faminto te devorará. Pode dormir tranqüilo. Não é a casa que dá segurança, mas a confiança em mim, o seu Deus. As pessoas pensam que terão paz quando tiverem uma casa, um lote, um carro ou um diploma. Mas você dorme tranqüilo estou te vendo, meu filho. O rei Dario que colocou você ai dentro, rola na cama, com todo seu poder”. (Ou então, coloque a explicação após o final da história: “Você conhece esta história? Já ouviu falar do rei Dario e que ele acabou sentenciando à morte um homem inocente? Conhece a história de Daniel e a cova dos leões?” Creio que, após a história, ficaria melhor.) Lembro-me de uma vez em que levei meus filhos ainda pequenos a um destes mega-parques de diversão. Meu filho Paulinho queria sua independência e me disse: “Pai, eu quero ir ao tromba-tromba sozinho”. Eu disse: “Mas filhinho você ainda é muito pequeno. Seu pezinho ainda não alcança direito o acelerador”. “Mas papai eu quero! Eu quero!”, e não teve jeito. Como vi que não haveria um perigo iminente, ou o carrinho não sairia do lugar, ou ele sairia mesmo trombando em todos, e como era esta a proposta inicial do brinquedo, deixei pra ver o que aconteceria. A brincadeira foi divertidíssima e, como previsto, ele mal conseguia andar alguns metros, era trombado ou trombava nos outros. Todos aqueles três minutos ele ficou rindo dentro do carrinho, olhando para mim a cada trombada (que não eram poucas), e se divertia como quem queria dizer “Tá vendo, papai, eu posso fazer isto sozinho”. Ao toque da campainha, terminando a brincadeira, ele saiu correndo para comemorar sua conquista, mas não saiu pela porta destinada às crianças que estavam saindo e onde eu o esperava. Neste momento tirou os olhos de mim, entrando por outra porta, onde já saiu no meio de uma multidão de pessoas e acabou se perdendo. De onde estava eu conseguia vê-lo, mas, mesmo que gritasse, ele não podia me ouvir por causa do som da musica ambiente, do alto-falante e da gritaria das crianças se divertindo nos brinquedos. Comecei a caminhar sem tirar os olhos dele, que caminhava sempre mais para dentro do parque, e aos prantos gritava “papai!”, “eu quero meu Pai!”. Há dois minutos ele havia vivido uma experiência oposta de alegria, agora: o pânico. Só lhe restava gritar por socorro. Só aí ele parou de correr e começou a olhar para cima, para o rosto das pessoas adultas, como quem está procurando a segurança perdida. Quando consegui me aproximar a uma distância em que ele podia ouvir-me, pude registrar em minha retina uma das cenas mais bonitas arquivadas no meu cérebro: o momento em que pude ver o alívio nos olhos dele correndo com os braços abertos em minha direção. Quando veio, pude abraçá-lo e ainda sentir a pulsação em ritmo acelerado de seu coraçãozinho. Enxuguei-lhe as lágrimas e disse-lhe: “Papai não te abandonou. Eu estava tentando me aproximar de você, mas você não parava de correr”. Passada a emoção voltamos à diversão. Ele talvez nunca mais se lembre disto, mas posso ver até hoje esta cena em uma tela de minha mente e fico a imaginar como que será para Deus quando vê seus filhos sofrendo, caminhando na direção oposta a dEle, não escutando Sua voz. Ele querendo aliviar seu sofrimento, querendo abraçar, querendo segurar no colo, ouvir seu coração batendo, mas você não tem tempo para parar e olhar pra cima. Pare! Quando você desanimar e disser: “Estou cansado”, Ele dirá: “Eu te aliviarei”. Se você passar por uma tormenta e pensar: “Ninguém me ama”, Ele te dirá: “Eu te amo”. Se você pensar: “Estou confuso”, Deus te responderá: “Eu endireitarei seu caminho”. Se as águas estão te jogando para o fundo e você sente que se depender de seus músculos não poderá mais continuar: ouça o sussurro de Deus, como uma brisa suave, em seus ouvidos: “Você pode! Eu te ajudarei!”. Mesmo que você se sinta a pior das criaturas, assumindo que errou demais e declarando que não consegue se perdoar, Ele te dirá: “Eu te perdôo. Não se sinta abandonado, sozinho, pois eu jamais abandonarei você. Sinta-se em meus braços”. A verdadeira confiança em Deus consiste em estar sempre em sua presença, em perfeita paz. Houve um rei que ofereceu um grande prêmio ao artista que fosse capaz de captar, em uma pintura, a paz perfeita. Muitos artistas tentaram. O rei observou e admirou todas as pinturas, mas gostou realmente de duas e precisou escolher entre ambas. A primeira era um lago muito tranqüilo. As águas do lago eram como um espelho perfeito que refletia as plácidas montanhas que o rodeavam. Sobre as montanhas estava um céu muito azul com tênues nuvens brancas. Todos os que olhavam para a pintura pensavam que ela refletia a paz perfeita. A segunda pintura também possuía montanhas, mas diferentes das do quadro anterior: essas eram escabrosas, sem vegetação. Havia sobre elas um céu tempestuoso do qual se precipitava um forte aguaceiro, com faíscas e trovões. A montanha parecia retumbar uma espumosa torrente de água. Nada disso revelava um ambiente pacífico. A princípio o rei não entendeu a mensagem do artista. Mas, quando observou atentamente, pôde observar que atrás de uma cascata havia um arbusto crescendo de uma fenda na rocha. Nesse arbusto encontrava-se um ninho. Ali no meio do ruído e da violenta tempestade estava uma mãe passarinho placidamente sentada no ninho, com seus filhotes. Uma paz perfeita. Qual das pinturas você imagina que foi a ganhadora? Paz não significa estar num lugar sem ruídos, sem problemas, sem trabalho árduo e sem dor. Paz significa que, apesar de estar no meio de tudo isso, permanecemos com o coração calmo. Esta deve ser uma montanha a ser alcançada: a paz de espírito. Não deixe que ninguém tire sua paz, mantenha sua intimidade com o Criador em todos os momentos de sua vida. Linhas de revisão: 390 8,66 laudas 25,99 reais